Relatório da Missão Independente de Direitos Humanos detalha repressão brutal após eleições de julho; documento circulou no Itamaraty e amplia pressão sobre o governo brasileiro.
Imagem ilustrativa IAUm novo e contundente relatório da Missão Internacional Independente de Determinação de Fatos da ONU revelou a face mais severa da repressão na Venezuela sob o regime de Nicolás Maduro. O documento detalha práticas de tortura, perseguição política e a detenção arbitrária de 158 crianças e adolescentes, alguns deles com deficiência, no período entre outubro de 2023 e agosto de 2024.
As violações ganharam escala industrial após as contestadas eleições presidenciais de 28 de julho. Segundo a Missão, o Estado venezuelano ativou um plano coordenado para desarticular a oposição e silenciar vozes críticas por meio do medo.
Tortura e abusos sexuais
Os relatos contidos no documento, que já circula nos bastidores do Itamaraty, são descritos por diplomatas como "chocantes". Entre os métodos de tortura documentados estão:
* Choques elétricos aplicados em órgãos genitais e outras partes do corpo;
* Asfixia com sacos plásticos e imersão em água;
* Privação de sono e humilhações psicológicas constantes.
A violência de gênero também foi utilizada como arma de repressão. O relatório cita ameaças de estupro contra mulheres detidas, incluindo o caso de uma adolescente grávida que teria sofrido abusos e ameaças por parte das forças de segurança.
O balanço da violência pós-eleitoral
Nas 48 horas seguintes ao fechamento das urnas, a repressão resultou na morte de pelo menos 25 pessoas, incluindo dois menores de idade. A ONU aponta que a maioria dessas mortes foi causada por disparos de armas de fogo efetuados por forças de segurança ou grupos civis armados pró-governo (conhecidos como colectivos).
Ao todo, cerca de 1.619 indivíduos foram detidos sob a acusação genérica de "terrorismo" e "incitação ao ódio". A Missão destaca que o discurso oficial de Maduro — prometendo "punho de ferro" e "punição máxima" — funcionou como um salvo-conduto para a escalada da violência estatal.
Saia-justa diplomática para o Brasil
A circulação desses dados no Ministério das Relações Exteriores aumentou o desconforto na diplomacia brasileira. A postura histórica do Brasil em defesa dos direitos humanos é vista por observadores e diplomatas de carreira como "inconsistente" diante da complacência demonstrada pelo governo Lula em relação a Caracas.
Embora o Brasil não tenha reconhecido a vitória de Maduro, a relutância em condenar de forma enfática as atrocidades documentadas pela ONU tem gerado críticas internas e externas, desgastando a imagem do país como mediador regional.
Redação com sites
