A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou nesta quinta-feira (7) o recolhimento de produtos detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes da marca Ypê, após identificar falhas graves no processo de fabricação que podem ter causado contaminação microbiológica nos itens.
A orientação da Anvisa é que consumidores interrompam imediatamente o uso dos produtos afetados. Mas quais são os riscos para a saúde com quem teve contato com os produtos?
A medida afeta todos os lotes com numeração final 1. Além do recolhimento, a agência determinou a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso dos produtos afetados.
Para esclarecer as principais dúvidas, o SBT News entrevistou a bióloga e pesquisadora no Instituto de Química da USP, Ana Laura Boechat, que participa de um grupo de pesquisa em Biologia Molecular e Genética da bactéria Pseudomonas aeruginosa no Brasil, bactéria encontrada nos produtos Ypê do lote final 1.
BACTÉRIA PSEUDOMONAS AERUGINOSA
Segundo a pesquisadora, a Pseudomonas aeruginosa é comum na natureza, presente em ambientes úmidos como água, solo e plantas. No entanto, ela pode causar infecções em humanos, especialmente em indivíduos com o sistema imunológico comprometido.
A presença da bactéria em produtos de limpeza, que deveriam eliminá-la, causa estranheza. Ana Laura explica que a Pseudomonas é muito adaptável, capaz de sobreviver em ambientes com poucos nutrientes e sob condições químicas adversas, além de ser multirresistente a antibióticos.
“A reincidência da contaminação indica falhas no processo de fabricação. É sempre preocupante qualquer contaminação, especialmente em locais onde não deveria haver microrganismos.”
A bióloga explica ainda que, existe um processo que facilita o crescimento da bactéria
QUAIS OS RISCOS?
A pesquisadora explica que, para pessoas saudáveis, o risco é baixo. A bactéria é considerada um microrganismo de atenção pela OMS desde 2017, devido à sua resistência a muitos antibióticos. Por isso, exige cuidados em laboratório, mas a probabilidade de adoecer é baixa. Já para os imunossuprimidos, como pacientes transplantados, em quimioterapia, com queimaduras graves ou hospitalizados por longo tempo, o risco é maior, pois a bactéria é oportunista.
O microrganismo pode causar infecções graves no sangue, pulmões, trato urinário e sepse.
Fonte:Correio News
