Dia do Trabalhador, Dia Internacional do Trabalhador ou Primeiro de Maio é uma data comemorativa internacional, dedicada aos trabalhadores, celebrada anualmente no dia 1 de maio em quase todos os países do mundo, sendo feriado em muitos deles.
Confira alguns pontos do pronunciamento do presidente Lula na véspera do dia do trabalhador
Imagem reprodução Ricardo StuckertAo longo da história do Brasil, a elite econômica sempre reagiu com o mesmo roteiro previsível diante de qualquer proposta que vise melhorar a vida do trabalhador. O salário mínimo, as férias remuneradas, o 13º salário — cada uma dessas conquistas, hoje vistas como direitos fundamentais, foi recebida com a mesma ladainha: “vai quebrar o país”.
A turma do andar de cima nunca aprende. Quando lutamos pela instituição do salário mínimo, disseram que a economia não suportaria. Quando garantimos as férias remuneradas, profetizaram o caos. Quando conquistamos o 13º salário, garantiram que empresas fechariam as portas. Pois bem: o Brasil nunca quebrou por dar direito aos trabalhadores. Pelo contrário, sempre ficou mais forte.
Por quê? Porque a economia não se sustenta no ar, nem se alimenta de especulação financeira ou de privilégios de poucos. A economia real gira com a força de quem produz, de quem consome, de quem vive do seu trabalho. Toda vez que a vida do trabalhador melhora, a roda da economia gira com mais força. O trabalhador com dignidade compra mais, alimenta o comércio, movimenta a indústria, gera emprego. E todo mundo acaba ganhando — inclusive os que torcem contra.
Agora, o debate volta à cena com a proposta do fim da escala 6x1. Esse regime que obriga o trabalhador a labutar seis dias para descansar apenas um é uma herança desumana de um tempo em que se achava que o suor era a única moeda de troca do pobre. Defendem essa escala em nome da produtividade, da competitividade, do “não aumentar custos” para os patrões. Mas a história já mostrou que esse argumento é falso.
A redução da jornada sem redução de salário não é favor: é reparação. É permitir que o trabalhador tenha tempo para estudar, para cuidar da saúde, para estar com a família, para viver — e não apenas sobreviver. E, mais uma vez, a elite já começou a chiar: “vai quebrar o Brasil”. Nós já conhecemos essa música.
O que vai acontecer com o fim da escala 6x1 é o mesmo que aconteceu com todas as conquistas anteriores: o Brasil não quebrará. Muito pelo contrário. As pessoas terão mais tempo e mais disposição para consumir, para formar laços sociais, para participar da vida comunitária. A produtividade não cai quando a qualidade de vida sobe. Estudos mundo afora mostram que trabalhadores descansados produzem mais e melhor.
O verdadeiro risco não é dar direitos aos trabalhadores. O verdadeiro risco é o Brasil continuar sendo um país onde parte da população vive como se tivesse apenas um dia por semana para ser gente. Isso, sim, quebra um país — quebra o tecido social, quebra a esperança, quebra a alma do povo.
Portanto, não tenham medo. Lutem pelo fim da escala 6x1. Não acreditem nas profecias apocalípticas de quem sempre esteve do lado errado da história. Toda vez que o trabalhador brasileiro conquistou um direito, o Brasil cresceu. E vai crescer de novo. Porque quando o trabalho é valorizado, a economia inteira se fortalece. É a lógica mais simples: quem ganha no chão de fábrica também ganha no ar condicionado dos escritórios. Um país justo é um país próspero.
Que vença a vida do trabalhador. Que vença o Brasil.
